
Para se ter uma noção mais correcta do ciberespaço e cibercultura há que vê-los em estrita correlação com a civilização.
Assim se compreende que a Internet tenha surgido em conjunto com alguns dos mais importantes desenvolvimentos tecnológicos do nosso século, e que a rede tenha nascido num momento em que a civilização estava a entrar numa fase mais estanque.
Com ciberespaço a noção de espaço é alterada. É um veículo de difusão múltipla de infinita informação criando assim uma ilusão de liberdade e autonomia. As fronteiras tornam-se invibializadas, há uma redução de exterioridade. É um espaço infinito, inalcançável ao qual se opõe o mundo terreno.
Aqui comunicamos todos com todos mas como não existe verdadeiramente objecto da comunicação a acção desenrola-se no interior de uma rede de metáforas que nos remetem para outras metáforas. O sujeito desta vivência virtual é desprovido de corpo. Desta noção surgiu o título “Anjos, Fadas e Sereias” que é uma analogia que o autor faz destes seres místicos e sem presença física com o sujeito que navega o ciberespaço.
Esmagadora maioria dos saberes que integram a cultura actual são puramente virtuais, só possuem verdadeira existência integrados nos quadros imaginários que emergem. O saber técnico deixa de ser descoberta ou criação e torna-se administração de informação.
A cibercultura tanto ajudou a difundir os valores morais da sociedade ocidental como também auxiliou ao desenvolvimento dos países mais pobres.
A rede é um infinito infinitamente limitada, em que a interactividade ocupa o lugar da acção, o sujeito da acção é a teleologia, o seu objecto é o homem. O indivíduo torna-se espectador de si mesmo. O nosso planeta aqui não é a Terra mas o Windows, Linux...
O ciberespaço é um quadro óptimo de imposição pacífica de valores implicitamente identificados com uma naturalidade que não é criticável. Os valores identificam-se com a situação do homem constituindo uma nova metafísica naturalista.

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