terça-feira, 16 de outubro de 2007

“ Anjos, Fadas e Sereias: 12 Tese sobre Cibercultura”




Para se ter uma noção mais correcta do ciberespaço e cibercultura há que vê-los em estrita correlação com a civilização.
Assim se compreende que a Internet tenha surgido em conjunto com alguns dos mais importantes desenvolvimentos tecnológicos do nosso século, e que a rede tenha nascido num momento em que a civilização estava a entrar numa fase mais estanque.
Com ciberespaço a noção de espaço é alterada. É um veículo de difusão múltipla de infinita informação criando assim uma ilusão de liberdade e autonomia. As fronteiras tornam-se invibializadas, há uma redução de exterioridade. É um espaço infinito, inalcançável ao qual se opõe o mundo terreno.
Aqui comunicamos todos com todos mas como não existe verdadeiramente objecto da comunicação a acção desenrola-se no interior de uma rede de metáforas que nos remetem para outras metáforas. O sujeito desta vivência virtual é desprovido de corpo. Desta noção surgiu o título “Anjos, Fadas e Sereias” que é uma analogia que o autor faz destes seres místicos e sem presença física com o sujeito que navega o ciberespaço.
Esmagadora maioria dos saberes que integram a cultura actual são puramente virtuais, só possuem verdadeira existência integrados nos quadros imaginários que emergem. O saber técnico deixa de ser descoberta ou criação e torna-se administração de informação.
A cibercultura tanto ajudou a difundir os valores morais da sociedade ocidental como também auxiliou ao desenvolvimento dos países mais pobres.
A rede é um infinito infinitamente limitada, em que a interactividade ocupa o lugar da acção, o sujeito da acção é a teleologia, o seu objecto é o homem. O indivíduo torna-se espectador de si mesmo. O nosso planeta aqui não é a Terra mas o Windows, Linux...
O ciberespaço é um quadro óptimo de imposição pacífica de valores implicitamente identificados com uma naturalidade que não é criticável. Os valores identificam-se com a situação do homem constituindo uma nova metafísica naturalista.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

«A escritora Luísa Costa Gomes é directora da revista "Ficções". A "Ficções" é uma publicação semestral de contos editada pela Tinta Permanente. Um exemplo único no nosso país. Desde 2002 que tem um "site" na Internet (de que aqui já falámos nessa altura) mas agora a novidade é que, com o apoio do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas e com a participação inicial do Projecto Vercial da Universidade do Minho, vão realizar um projecto pioneiro na divulgação do conto clássico e contemporâneo (pelo menos em Portugal), constituindo a primeira Biblioteca Online do Conto. Será a primeira biblioteca de textos integrais "on-line" em português e "numa primeira fase, o objectivo é colocar 'on-line' um extenso rol de contos e novelas portugueses do século XIX, bem como a quase totalidade dos contos contemporâneos encomendados pela e publicados na revista 'Ficções' ao longo destes quatro anos. Como objectivo final, a 'Ficções' quererá constituir uma Biblioteca Universal do Conto, disponibilizando textos integrais e traduções fidedignas da literatura universal", explica Luísa Costa Gomes. "Pensamos não ser necessário enfatizar a importância desta iniciativa para todos os que falam e estudam português no mundo inteiro. Colocar 'on-line' estes contos, numa edição revista, integral e credível, é tornar acessíveis aos estudantes e leitores que usam a Web, alguns textos muito importantes da nossa cultura", acrescenta. Neste momento, já podem ser consultados no "site" alguns dos contos que já fazem parte da biblioteca e que foram revistos tipograficamente. (…) E claro, contos de Camilo, Eça, Aquilino, Sena, Fernando Cabral Martins, Teresa Veiga, Mário de Carvalho, Maria Velho da Costa, Hélia Correia, Agualusa, Machado de Assis, Luísa Costa Gomes, Ramalho Ortigão, Jaime Rocha, entre outros. Aguarda-se o desenvolver do projecto com expectativa.»